Ana Cristina, sou graduada em Letras Português (UnB), Letras Inglês e Artes Visuais. Tenho Pós Graduação em: Literatura (UnB), Gestão Legislativa (UnB), Relações Internacionais (UnB), Arte, Cultura e Educação; Cinema e Audiovisual e mestrado em Ciência Política.

Sou artista visual e realizei várias exposições artísticas coletivas e individuais no Brasil e no exterior, sou representada pela Galeria XXX de Arte Contemporânea. Representei o Distrito Federal no Festival Mundial de Graffiti em 2019.

Como artista visual e pesquisadora, interesso-me, principalmente, pela expressão intelectual e sua materialidade no âmbito das artes; nas artes visuais, no cinema e na literatura, associada a performatividade de gênero da filósofa Judith Butler e ao decolonialismo da socióloga Maria Lugones. Essas autoras, sob pontos de vista diferentes, mas complementares, pesquisam processos políticos institucionais e sociais,  que perpassam o reconhecimento ou a abjeção dos seres humanos. Ao estudar essas autoras, entende-se que estes processos de exclusão do outro e de desumanização têm, em última instância,  o objetivo de reiterar a política liberal e de perpetuar a desigualdade social.

A desigualdade de gênero, entendida de forma interseccional, é o tema  que me atravessa, e procuro associar o desconforto e a revolta que isso me causa, com minhas paixões em arte visual, literatura e cinema.

Meu projeto artístico atual trata do convívio social cotidiano, que promove a alteridade. A rejeição de pessoas, que não correspondem aos modelos de gênero ou estética impostos pela política colonial eurocêntrica. Trata da falta de reconhecimento, que nega a identidade e a liberdade de ser do outro, ignorando sua existência. As obras são feitas por meio de incisões no linho, retirando os “excessos”, para adequar-nos às representações performativas. Ao final, inseri duas fotos de obras dessa série.

Este mês, publiquei o artigo: Reiventando a Maturidade: uma análise de Guida, na Revista Livre de Cinema. O artigo é uma análise fílmica do curta Guida, considerando seus diversos elementos artísticos, já que o curta é um filme de animação 2D, sob o olhar da performatividade de gênero.  Enviei outro artigo para a revista Rebeca da Socine. Esse último trata do filme Febre do Rato, neste artigo fiz umas intervenções artísticas, desenhando nos frames, o que eu acredito tenha deixado a análise bem original...

O diálogo entre as artes e a filosofia que a disciplina propõe tem um potencial transformador ao ampliar o olhar e o entendimento do mundo e dos outros. A união entre música e filosofia me pareceu fascinante pelo caráter de interpretação subjetiva de ambas. A escolha da música, dentre as formas artísticas, para uni-la à filosofia apresenta-se como a escolha mais complexa e criativa, que consigo imaginar, e estou muitíssimo curiosa e empolgada para conhecer essa abordagem, sob o olhar contemporâneo.

Outra questão que  me interessou, particularmente, na exposição da disciplina foi a pesquisa sobre o controle estético dos sons. Tema que me inspirou e despertou, pela sua sutileza e pela violência colonial que ele representa, comparações e reflexões sobre as imposições imperialistas abordadas, por meio de outros objetos, por Lugones.


 Figura 1. Ana Olivier -  Identidade (2021). Dimensões: 15x20 cm. Foto: Acervo Pessoal


Figura 2. Ana Olivier -  Adequação (2021). Dimensões: 42x30cm. Foto: Acervo Pessoal

 

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