Jean Cocteau foi um artista francês, da primeira metade do século XX, cuja obra, tangencia diversas formas artísticas, como o cinema, as artes plásticas e a poesia, além de ter escrito uma extensa obra teatral, na qual se destacam Antigone , e La machine infernale , ambas reescritas a partir da obra de Sófocles. Além de reescrever as duas peças, Cocteau também desempenhou as tarefas de encenador e ator em ambas as montagens de estreia. Seu nome figura nas duas fichas técnicas como portador da “voz” ou “La Voix”, que representa a fusão entre o coro e Corifeu. Muito pode ser dito sobre a presença cênica dessa voz: - como ela concentra em uma única “voz”, a multiplicidade de vozes do coro; - como se assemelha à voz do rádio, que, na primeira metade do século XX, representava uma grande evolução tecnológica, adentrando e preenchendo os lares, formando opiniões, além de substituir o coletivo do coro antigo – muitas vezes divergente entre si – pela unicidade de uma única e tirânica voz; - ...