Rui Barbosa e o Maxixe
"A noite de 26 de outubro de 1914 foi sonora em todas as suas dimensões. Celebrando o quatriênio de Hermes da Fonseca na presidência, a então primeira-dama Nair de Teffé (1886-1981) animou os espíritos ilustres e oficiais de seus convidados com uma programação musical um tanto inusual para a ocasião. No repertório, que incluía peças do compositor Arthur Napoleão e uma das célebres Rapsódias do húngaro Franz Liszt, praxes de qualquer ambiente “elevado” da Primeira República, figurava timidamente um tango para violão a ser executado pela própria “Mme. Nair Hermes” em pleno Palácio do Catete."
Rafael Nascimento
Catete em ré menor: tensões da música na Primeira República
Link:https://www.scielo.br/j/rieb/a/xsCysTbrdqV589BNYFTcQTg/?lang=pt&format=pdf
Convite:
Trecho de discurso de Rui Barbosa na sessão do Senado do dia 07/11/1914.
Porque, Sr. Presidente, quem é o culpado, se os jornais, as caricaturas e os moços acadêmicos aludem ao corta-jaca?
Uma das folhas de ontem estampou em fac-símile o programa da recepção presidencial em que, diante do corpo diplomático, da mais fina sociedade do Rio de Janeiro, aqueles que deviam dar ao país o exemplo das maneiras mais distintas e dos costumes mais reservados elevaram o corta-jaca à altura de uma instituição social. Mas o corta-jaca de que eu ouvira falar há muito tempo, que vem a ser ele, Sr. Presidente? A mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens, a irmã gêmea do batuque, do cateretê e do samba. Mas nas recepções presidenciais o corta-jaca é executado com todas as honras da música de Wagner, e não se quer que a consciência deste país se revolte, que as nossas faces se enrubesçam e que a mocidade se ria!
Fonte:
Anais do Senado Federal, v. VII, p. 45-
Link:https://www.senado.leg.br/publicacoes/anais/pdf/Anais_Republica/1914/1914%20Livro%207.pdf
O texto foi reimpresso no jornal A Época, de 8 de novembro de 1914
Link: http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=720100&Pesq=maxixe&pagfis=6751
Contexto do discurso:
"VIOLÊNCIA S CONTR A ESTUDANTES
Sessão em 7 de novembro de 1914
Nos dias 4 e 5 de novembro houve na cidade várias manifestações de estudantes contra a situação que se encerrara. Carregando grandes cartazes com caricaturas de personalidades do Governo, que aparecem em fotografias de jornais, especialmente O Imparcial, esses grupos foram dissolvidos violentamente por forças do Exército. No Largo de São Francisco, na Praça da República, onde se localizavam a Escola Politécnica e a Faculdade de Direito, houve vários conflitos. Também em frente à Faculdade de Medicina houve tiroteio e cargas de cavalaria, saindo feridos alguns estudantes. Os jornais publicam protestos dos estudantes contra a ação das forças militares. O Imparcial realça a coragem do professor Álvaro Osório de Almeida que impediu que o conflito tomasse maiores proporções. O texto dos Anais do Senado oferece alguns enganos. Conferimos com a versão aparecida n'O Imparcial de 8 de novembro."p. 333.
Obras Completas de Rui Barbosa
Discursos Parlamentares
VOl XLL, 1914, Tomo 2.
Link: http://www.stf.jus.br/bibliotecadigital/RuiBarbosa/16040_V41_T2/PDF/16040_V41_T2.pdf

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