Prezado Professor Marcus Mota, vc tinha me sugerido um autor para ler, anotei em um papel, que não consigo achar, vc poderia repetir por favor o nome do autor...

.mil perdões.


O Cinema Interartístico de Marguerite Duras:

palco, sons, e visualidades, propondo reflexões políticas.

 

 

Resumo: Esse artigo terá como foco a análise da característica de linguagens interartísticas no filme India Song (1975), dirigido por Marguerite Duras. O estudo destacará como a teatralização fílmica, a atuação melódica e a montagem pictórica dos frames; isto é, como a intersecção entre linguagens artísticas participam da crítica política que Duras realiza, a partir dos marcadores de gênero e de classe social. Para a abordagem da teoria de gênero selecionou-se o conceito de performatividade em Judith Butler A proposta metodológica utilizará sugestões para análises fílmicas formuladas pelos teóricos Jacques Aumont, e Michel Marie.

 

 

Este artigo procura identificar a presença de diferentes linguagens artísticas no filme Índia Song (1975), de Marguerite Duras, observando a intersecção entre cinema, teatro, artes visuais e música. A forma como essa interação molda e se reflete nos personagens será observada, sob o viés da teoria de gênero de Judith Butler.

Marguerite Duras escreveu 48 romances, dentre outros escritos e dirigiu 19 filmes; em suas obras uniu palavras a imagens e sons. A cineasta não se considera parte de nenhuma corrente ou grupo estético, apesar de reconhecer seu diálogo com a Nouvelle Vague (KNAPP, 1971, p.659) e a similaridade de suas opiniões políticas com Sartre e Beauvoir (KNAPP, 1971, p.655). Esse diálogo se deve a características do movimento artístico, que estão presentes na sua obra como: o caráter contestatório, que se opõe aos modelos do cinema tradicional; a narrativa não linear e às experimentações em novas maneiras de captar imagens e o tema do amor livre. 

India Song caracteriza-se pelo seu aspecto híbrido, isto é, a obra só existe no cruzamento, que mescla e transforma diferentes linguagens artísticas, criando um formato autoral. Para fins metodológicos, verifica-se também que o desenho da obra India Song inviabiliza seu estudo fragmentado, pois os aspectos literários, sonoros, teatrais, visuais e fílmicos se completam, compartilhando sentidos. O estudo isolado de alguma das linguagens artísticas transformaria o filme e significaria a perda de elementos e informações narrativas.

A abordagem desta pesquisa proposta sugere que a investigação das relações interartísticas dialoga com questões de intertextualidades e com a interdisciplinariedade.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

AUMONT, Jacques e MARIE, Michel. AUMONT, Jacques; Marie Michel. A Análise do filme. Lisboa: Texto e Grafia, 2009. 

AUMONT, Jacques e outros; A Imagem. Campinas: Papirus Editora, 2012a. 

AUMONT, Jacques; Marie Michel. Dicionário Teórico e Crítico de Cinema. Campinas: Papirus Editora, 2012b. 

BUTLER, Judith. Atos performativos e a constituição do gênero: um ensaio sobre fenomenologia e teoria feminista. Tradução Jamille Pinheiro Dias. Caderno de leituras n. 78. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2018.

BUTLER, Judith . El género em Disputa – El feminismo y la subversión de la identidad. Tradução de Maria Antônia Munhoz. Barcelona:  Paidós, 2007. 316 páginas.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismos e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. 19ª edição. Rio de Janeiro:  Civilização Brasileira, 2020.

CARDOSO, Rafael. A Arte Brasileira em 25 Quadros. Rio de Janeiro: Record, 2008.

CLUVER, Claus. Revista Literatura e Sociedade. Estudos Interartes conceitos, termos, objetivos. Vol. 2, N.2. São Paulo: USP, 1997.

DURAS, Marguerite. India Song – texte théâtre film. Paris: Gallimard, 1973.

LOURO. Guacira. Um Corpo estranho: ensaios sobre a sexualidade e a  teoria queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2020. 109 páginas.

KATTENBELT, Chiel. Org. DINIZ, Thaís e VIEIRA, André. Intermidialidade e Estudos Interartes: Desafios  da Arte Contemporânea. Vol 2 . Belo Horizonte: Rona Editora: FALE/UFMG. 2012.

KNAPP, Bettina; DURAS Marguerite e COUSIN, Gabriel. Interviews avec Marguerite Duras e Gabriel Cousin. The French Review, Vol. 44, no. 4.  JSTOR, 1971. pp. 653-664.

LIMA, Adson. As Cidades de Marguerite Duras – Um Estudo sobre India Song. Belo Horizonte: Caligrama, 2006.

MARTINS, Ana Paula. Visões do  Feminino – a medicina da mulher nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Editora  Fiocruz, 2004. Disponível em: http://books.scielo.org/

NUNEZ, Carlinda, WEISER, Frans e RIBAS, Maria Cristina. Soletras – Revista Interartes – Prefácio. Revista do Departamento de Letras da FFP/UERJ. Número 32. Rio de Janeiro: UERJ, 2016.

PEDROSA, Israel. Da Cor a Cor Inexistente. Rio de Janeiro: Senac Nacional, 2014.

RODRIGUES, Carla. Três Tempos da Performatividade em Butler. Políticas da  Performatividade – Conferências. Or. Cattoni Marcelo Viana Igor. Belo Horizonte: Conhecimento, 2019.  P. 29-42.

SANTOS, Maria Angélica. Roteiros literários de cinema: gêneros e mídias em Alain Robbe-Griller e Marguerite  Duras. Tese de doutoramento da Universidade Federal de Minas Gerais e a Université Paris Diderot Sordonne Paris Cité. Belo Horizonte, 2015.

Blog

SILVA E SOUZA, Marcelo. HACER – História da Arte e da Cultura Estudos e Reflexões.  2012. Acesso em: 19 de setembro de 2021. https://www.hacer.com.br/arrufos  

 

CAETANO, Márcia.  Na Linha. Blog. 2006. Acesso em: 19 de setembro de 2021.

https://marciacl.typepad.com/na_linha/2006/01/le_nouveau_roma.html

 

 

REFERÊNCIAS FILMOGRÁFICAS:

India Song (1975) de Marguerite Duras, 120 min.

La Femme du Gange (1974) de Marguerite Duras, 84 min.

Son nom de Venise dans Calcutta désert (1976) de Marguerite Duras.

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Gilmar A. Gomes - Paper final (arquivo enviado ao Prof. Marcus)

Indicação de Palestrante para a disciplina "Processos Criativos"

Congresso de Iconografia Musical